quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Chá da Tarde com Woolf





Virginal, eu a contemplo
debaixo de um emaranhado.
Descansa em alvura,
insiste em deixar-me
caminhando pelos nós
que a revelam
senhora das palavras
soltas, esfíngicas.

Observo seu turvo rosto
de linhas arqueadas,
delicadeza desnudada na face.
São elas que contam sua vida,
não as finas e longas sinas
marcadas em suas fatigadas
mãos.

Seu olhar dança com a imensidão.
Árdua tarefa decifrá-la.
Fixar as retinas em seus olhos
certeza é de obscuridade,
profunda fragmentação, 
vêm de suas íris labirínticas.

Inutilmente, tento distingui-la da paisagem.
Morta, tão inclinada para si mesma
que o céu plúmbeo, sombrio,
serve-lhe de vestido.

Ignoto ser do crepúsculo,
seus enigmáticos laços
devoram-me tal qual Clarissa
se perdeu nas linhas trêmulas, mortais,
dos ponteiros reminiscentes. 

Lorena Barreto





Nenhum comentário:

Postar um comentário

Olá, obrigada pela visita ao meu blog, deixe um comentário para que eu saiba o que você achou da postagem.

Poesias mais degustadas:

Que dia é hoje...